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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Praticar sem instrumento.

Como isso pode ajudar?

Para alguns pode parecer um conceito curioso, mas, como professores, sabemos que é uma ferramenta universal popular e, para inúmeros pianistas, um método muito eficiente de aprendizagem.

Os mestres têm elogiado constantemente essa prática; o pianista polonês Artur Rubinstein declarou que nunca praticava no piano por mais de três horas ao dia e, de acordo com suas me-mórias, usava muito do seu tempo aprendendo e refletindo sobre a música longe do instrumento. O pianista francês Walter Gieseking aparentemente conseguia aprender uma peça do zero sem sequer encostar no piano, e enfatizava a importância do ‘trabalho cerebral’ e ‘treinamento intenso do ouvido’ em Piano Technique (a publicação que ele escreveu em conjunto com seu professor, Karl Leimer). Para a maioria dos pianistas, professores e estudantes, trabalhar fora do piano, mesmo em períodos curtos, mas regulares, pode ser uma forma produtiva para testar o conheci-mento, memória, consolidar a aprendizagem, e pode também ser usado para resolver vários problemas técnicos.

Análise musical

Há uma abundância de benefícios provenientes da reflexão sobre sua prática sem, de fato, encostar no instrumento. Mas, uma das mais úteis no início do processo de aprendizagem, sem dúvida, é a análise musical. Quando começamos a aprender uma peça, geralmente examinamos a partitura buscando pelos elementos usuais: estrutura, mudanças de tonalidade, mudanças de andamento, textura, características estilísticas e por aí vai. Nós analisamos e estudamos. Inicialmente, este é o nosso primeiro ponto de contato.

A análise pode ser benéfica em muitos níveis, mas a nível mais básico, comece pela observação de tudo na página (escrever todas as observações pode ajudar também). Não deixe nada escapar da sua atenção, e permita que a mente absorva notas e padrões lentamente, mas deliberadamente. A observação fornece informação abundante que será absorvida lentamente pela mente e, eventualmente, pelo subconsciente, construindo assim o caminho para outras duas for-mas de prática mental fora do piano: memória e visualização.

Quando dissecar sua partitura, comece observando a forma (fuga, forma sonata, etc.) e sua estrutura. Marcar várias seções pode ser útil, tomando nota de como e onde elas mudam. Se houver uma forma A-B-A, identifique os diferentes segmentos e instâncias de materiais novos, mapeando a peça, conectando seções e tomando nota de onde e como eles se diferenciam. Uma vez que as mudanças de tonalidade são digeridas, procure por variações de andamento e mudanças de textura. É extremamente importante monitorar como os temas se desenvolvem e se trans-formam ao longo de uma obra. Como o fraseado muda ou expande? Ele muda? Essas observações simples podem continuar infinitamente e, quanto maior o detalhamento, mais a obra será fixada mentalmente, mesmo antes de iniciar a parte ‘prática’.

A marcação de dedilhado é uma outra forma de assimilação. É fácil fazer isso fora do te-clado; ao focar cuidadosamente onde os dedos serão posicionados, tudo ficará muito mais simples quando eles tocarem de fato no instrumento. A articulação também requer uma análise detalha-da, assim como as marcações musicais, indicações de pedal (se houver), e marcações de dinâmicas. Tudo isso ajuda no processo de aprendizagem mental. A análise pode assumir muitas formas, mas ao focar no mapeamento musical, quando for trabalhar no piano, você estará bem prepara-do.

Memorização

Quando a aprendizagem se inicia no instrumento, outro fator importante vem à tona: memorização. Memorização e prática longe do piano são sinônimos e estão completamente conectados. Quer tenhamos a intenção de memorizar uma peça ou não, utilizar este método pode ser extremamente importante, especialmente durante os momentos fora do piano.  Muitas pessoas sentem que é útil separar a prática, ou o ‘aprender as notas’, do trabalho de memorização e, até um certo ponto, isso pode ser verdade, mas em outros aspectos, a imersão profunda na música adicionará velocidade do processo de aprendizagem, e geralmente oferece melhores resultados.

Aqui estão algumas ideias para auxiliar na prática fora do teclado:

Atenção e cuidado

Pode ser útil praticar atenção e cuidado antes de iniciar qualquer tipo de prática mental (ou física). Geralmente esquecemos que impaciência, irritação e estresse podem ser os elementos mais negativos na prática, especialmente quando estudamos sozinhos. Ao lembrar de manter uma mentalidade positiva, relaxada e (crucialmente) alegre antes de iniciar a prática, o sucesso virá muito mais rapidamente.

Postura

Boa postura e respiração relaxada deveriam ser os primeiros elementos em todos os momentos de prática, seja no instrumento ou fora dele. Sente-se em uma cadeira (ou no banco do piano) com os ombros baixos (a tensão neste ponto pode acontecer até mesmo fora do instrumento), respire lentamente e deliberadamente, fixando-se na tarefa em mãos com uma atitude positiva.

Lembre-se: você está ansioso para fazer a memorização e fará tudo com facilidade. Tenha como objetivo repetir a respiração lenta em vários intervalos durante a prática (eu costumo me levantar e caminhar também).

Pense no que a música lhe faz sentir; seu caráter, humor e atmosfera. Escreva algumas descrições ou palavras que resumam a obra e o que ela representa para você. Alguns podem achar útil ouvir gravações neste ponto, mas isto deve ser feito com cautela, uma vez que existe o perigo de ‘aprender’ a interpretação de outro pianista ao invés de criar a sua.

São quatro os principais tipos de memorização: auditiva ou perceptiva (como que a música soa), visual (como ela aparece na partitura), cinestésica ou muscular (a sensação física durante a performance), e memória intelectual (o processo analítico). As memorizações perceptivas e visuais têm um papel importante no trabalho fora do piano, assim como o lado intelectual da memorização. É possível incorporar todos os três durante o processo de reflexão.

Pegue a partitura e foque-se em uma linha de cada vez (ou compasso por compasso se vo-cê prefere dividir em seções), tomando nota do que acontece em cada mão; aprenda o dedilhado, formas e padrões, saltos, acordes, etc., para que você possa tocar mentalmente cada linha, primeiro olhando ou lendo a partitura, e depois, eventualmente, de memória. Esteja ciente também dos movimentos que cada mão precisa fazer para dominar as passagens; movimento dos dedos, pulso (tanto rotacional quanto lateral), braços, força, peso do braço, e por aí vai. Estes elementos vão agir como âncoras e simplificar o processo de domínio da peça. Uma vez no piano, você sabe-rá como cada linha da música soa, e seus dedos irão, de forma mais ou menos instintiva, cair no lugar certo.

Agora cante a linha musical de cada mão (mesmo a parte de acompanhamento) na primeira linha da partitura. Isso irá auxiliar a memória, o senso de estrutura e conscientização dos padrões musicais, formas e tonalidades. Tente devagar e também no andamento. Agora, imagine-se tocando e cantando a linha ao mesmo tempo. Isso pode precisar de algumas tentativas! Você também pode cantar a linha de cima (mão direita), enquanto toca uma linha de baixo imaginária (mão esquerda), e vice-versa. Trabalhe desta forma em cada linha da peça, mesmo em partes que se repetem. Quando se sentir confiante, retire a partitura e teste sua memória (faça isso com frequência).
Enquanto trabalha fora do piano, pegue uma folha de pauta e escreva a partitura, linha por linha. Embora consuma tempo, é incrível o quanto de informação pode ser absorvida desta forma. Isso realmente reforça o conhecimento e esclarece exatamente o que acontece em cada mão a cada momento.

Outro elemento importante do trabalho mental é a ênfase necessária na mão esquerda. Isso não pode ser subestimado. Se você consegue tocar a linha da mão esquerda na sua cabeça, então pode facilmente transpô-la para o piano. Aprenda isso pelas várias formas já sugeridas, também ouvindo como soa mentalmente. A memória auditiva é uma ferramenta de prática pode-rosa, e a conscientização completa da mão esquerda é um pré-requisito na memorização.

Depois de trabalhar ao longo da obra seguindo esses procedimentos, a peça deixará uma marca na sua mente, e isto solidificará a interpretação. Alguns consideram útil trabalhar de trás para frente; não tocando literalmente de trás para frente, mas começando pela coda, passando primei-ro a mão esquerda e depois a direita, frase por frase, assimilando em blocos. Eu considero este método particularmente benéfico; por algum motivo parece realmente acelerar todo o processo.

Uma vez digerido, comece a testar sua memória durante os momentos de prática. Pode ser desa-fiador lembrar-se de cada detalhe neste estágio, mas ao voltar repetidas vezes às mesmas frases e passagens durante um tempo, as respostas mentais ficarão mais fortes e claras. Pode ser útil gravar-se ocasionalmente tocando a peça inteira ou trechos curtos, e então ouvir cuidadosamente, e em seguida repassar na sua cabeça, sem som nem partitura.

Visualização

A ‘fase’ final da confiança ao praticar fora do instrumento é a técnica da visualização. Alguns acham este método não é mais importante do que outros, mas pode se tornar uma parte funda-mental da prática, e pode ser feita em qualquer lugar, a qualquer hora. A visualização pode ser abordada em duas vertentes: primeiramente ouvir a música na cabeça e, segundo, ter uma imagem nítida da performance.

Uma das estratégias mais poderosas ao refletir sobre uma música, em particular uma que esteja sendo estudada constantemente, é a de conseguir tocá-la na cabeça, longe da partitura e do instrumento. A melhor forma de fazer isso é em um lugar silencioso, longe de distrações, sentado e com os olhos fechados. É necessário ter bastante foco, porque ‘ouvir’ uma peça do início ao fim requer uma grande quantidade de disciplina e concentração. O esforço e absorção necessários podem assustar um pouco no início, mas, uma vez acostumado ao estado mental necessário, atinge-se uma calma e quietude que torna possível ‘pensar’ ao longo da música com precisão.

Comece ouvindo uma página de cada vez, e vá construindo aos poucos. Defina um anda-mento apropriado e resista à tentação de mover os dedos, uma vez que isso funciona melhor quando a música flui pelo pensamento sem a interferência das exigências técnicas e dos problemas. Nunca saia da velocidade ideal, e tome nota de cada passagem ‘difícil’ que não pode ser lembrada com facilidade; você pode querer passar por essas passagens mais tarde, separadamente (escrever os trechos, ou transcrevê-los na folha de pauta pode ajudar nesta parte). Quando fizer isso com fluência e sucesso, toque novamente, mas desta vez na metade do andamento.

Uma parte valiosa do processo de visualização é a imersão profunda dentro da música. Uma vez livre da necessidade de realmente tocar uma peça, é possível decidir sobre interpretação, cor e enriquecimento com eficiência e facilidade. O ato de refletir sobre qualquer obra de piano definitivamente vai mudar as percepções originais de interpretação e também vai encorajar a confiança.

Agora, visualize-se tocando a peça, ou seja, assista a você mesmo tocando no piano como uma imagem mental. Enquanto a música passa pela mente, observe seus dedos, dedilhado, movimentos, e tudo o que seu corpo precisa fazer para atingir um resultado positivo e com exatidão. Alguns preferem visualizar todos os detalhes, imaginando cada dedo tocando no centro de cada tecla, enquanto outros preferem ‘enxergar’ uma imagem menos amplificada e meticulosa, apenas visualizando-se por completo no piano enquanto a música passa pela mente. A imaginação envolvida na ‘avaliação’ de uma performance como esta pode ter efeitos extremamente positivos nas nossas mentes, encorajando uma projeção lógica e otimista que gerará resultados afirmativos.

Quer você prefira ouvir uma obra ou apenas observá-la sendo tocada, é crucial pensar rigorosamente e com detalhes, sem nunca perder a concentração. Pode ser verdadeiro afirmar que, se você não consegue ‘ouvir’ uma peça até o fim, você não a conhece bem o suficiente. A visualização estimula e inspira a performance, e permite que o pianista toque seguro, sereno e com o coração; uma obra tocada com o coração nunca será esquecida, e será interpretada com honestidade e confiança.

Estudantes podem se beneficiar profundamente ao trabalhar peças desta forma, não importa se pretendem tocar de memória ou não, e se pudermos encorajá-los durante os processos da prática, quem sabe o que podem alcançar?

Texto original de Silvinho Fernandes

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