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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Piano.

1. O PIANO: SUA PARTE FÍSICA/ MATERIAL DO INSTRUMENTO

As grandes marcas, nomes da indústria do piano e detalhes da sua história. A engenharia instrumental tem no piano a soma mais complexa da física mecânica e sonora. Instrumento que precisa habilmente associar madeira e metal, com alto grau de tração e complexidade de formas. Os seus compostos, mais de dez mil peças, superam os de um carro. Os detalhes da madeira, detalhes da ciência dos cortes, peso e sentido das fibras, tensão da tábua harmônica com sua curvatura positiva, as grandes madeiras que sustentam não só o peso como estabilizam a migração e fuga da tensão. Os compostos de metais cuja têmpera varia de ferro fundido até aço de altíssima qualidade. A presença da lã de carneiro. A presença da vaqueta animal. A ciência não menos complexa da mecânica de transmissão do "set" de martelos. A montagem dos compostos, com grande grau de precisão nas medidas. O teclado feito de uma só peça estabilizada mecanicamente na sua uniformidade, e tantas coisas relacionadas ao mais belo e complexo de todos os instrumentos.

2. O PIANO: ADEQUAÇÃO E AFINAÇÃO DO INSTRUMENTO

A engenharia acústica, com o seu oportuno advento, colocou, felizmente, luz num dos assuntos mais complicados e danosos para o usuário do piano: as leis do som, as leis harmônicas. A concepção espacial do som nas variáveis da arquitetura. A importância do conforto e do detalhe de tais compostos. Preparação do instrumento para o estudo. Preparação do piano para concerto, para gravação. Os diferentes temperos ou escolas de afinação. Razão da existência de guetos no tempero dos instrumentos. A importância da preparção e ajuste mecânico no resultado sonoro. O trabalho físico nos martelos para a conquista da entonação. As dificuldades de certos ambientes para se conseguir resultados benéficos. O equilíbrio do instrumento usado como solista, com o canto, em duos, câmara e orquestra.

PIANO 112: modelo mais compacto, conhecido como modelo "estúdio", é ideal para estudo e para pequenos ambientes. Tem linhas retas e estilo moderno. Altura 112 cm, largura 147 cm, profundidade 56 cm, peso 187 kg, madeira/cor: preto, imbuia, mogno e branco. Acompanha banqueta regulável. Garantia: 5 anos.

PIANO 114: modelo "apartamento", estilo tradicional, compatível com ambientes menores, ideal para estudo. Altura 114 cm, largura 149 cm, profundidade 59 cm, peso 192 kg, madeira/cor: preto, imbuia, mogno e branco. Acompanha banqueta regulável. Garantia 5 anos.

PIANO 116: modelo "europeu", lançado mais recentemente, tem tamanho intermediário e estilo moderno. Altura 116 cm, largura 147 cm, profundidade 59 cm, peso 192 kg, madeira/cor: preto. Acompanha banqueta regulável. Garantia: 5 anos.

PIANO 126: modelo "clássico", de aspecto sóbrio e majestoso, ideal para residências, escolas, igrejas e pequenos auditórios, para estudo e audição. Altura 126 cm, largura 149 cm, profundidade 62 cm, peso 213 kg, madeira/cor: imbuia. Acompanha banqueta regulável. Garantia: 5 anos.

PIANO 126 AL: modelo "moderno" por apresentar "design" contemporâneo. A abertura da tampa superior é semelhante à dos pianos de cauda. Ideal para residências. Altura 126 cm, largura 149 cm, profundidade 62 cm, peso 211 kg, madeira/cor: preto, imbuia, mogno e branco. Acompanha banqueta regulável. Garantia: 5 anos.

PIANO 127: modelo "profissional" com características semelhantes às de um piano de cauda (o primeiro bordão tem 126 cm), ideal para residências, escolas, igrejas e auditórios. Altura 127 cm, largura 149 cm, profundidade 62 cm, 232 kg, madeira/cor: preto, imbuia, mogno e branco. Acompanha banqueta regulável. Garantia: 5 anos.

DICAS: COMO ESCOLHER SEU INSTRUMENTO

Os pianos não são iguais. Eles dependem de COMPOSTOS variados, sendo os principais a madeira e o metal. A madeira (densidade, textura, secagem e peso) exige tecnologia de corte e cuidado na direção das fibras. Este é o motivo do preço elevado dos pianos de marcas tradicionais. Uma das características dessas marcas (alemãs) é a importância do detalhe, quer seja do material de madeira , quer seja do metal e seu composto, a harpa ("frame") e suas partes. A engenharia estrutural é de suma importância, pois a TENSÃO NA HARPA é altíssima, chegando a alcançar vinte toneladas de tração/tensão na soma das cordas num piano afinado no diapasão 440 Hz. O controle de qualidade deve ser rígido e honesto para evitar peças tortas, com fratura e sem precisão. Quando isso não existe, o resultado é visto na mecânica, no toque, na imprecisão, na sonoridade do instrumento e, mais tarde, nos defeitos que o instrumento irá apresentar. Outro dano grande, e ainda pior, ocorre sobre o estudante ou usuário do piano. Havendo falta de equilíbrio, homogeneidade e precisão da afinação, ocorre um dano na MEMÓRIA CINESTÉSICA(muscular/ da ação). A escolha deve recair sobre o instrumento que esteja o mais novo possível, de preferência de fábrica,( razão para isso é que poucos instrumentos usados no Brasil, possuem a manutenção cuidadosa que prolongue a sua vida útil. Não possuimos em nossa cultura esse cuidado) e cuja sonoridade, mecânica e qualidade de material sejam de origem idônea. OTAMANHO do piano deve se adequar ao ambiente (ambientes pequenos, pianos pianos e vice-versa). Para alguns, a composição plástica do ambiente é importante, mas esta deve vir após os itens acima descritos.

DICAS: ADEQUAÇÃO

Adequação é a aplicação do conhecimento das variáveis do ambiente (seu formato, posição, componentes), como também das propriedades do instrumento (timbre, altura, etc.), para ajustá-lo ao PROPÓSITO para o qual ele se destina, que pode ser: simples passa-tempo, estudo, terapia, uso profissional,gravação, etc.

Há estudos/pesquisas em grandes centros acadêmicos que chegaram a uma conclusão assombrosa: 70% das pessoas que abandonam o estudo do piano deve-se ao trinômio: afinação, inadequação e sistema impírico de ensino: INSTRUMENTOINADEQUADO ao ambiente: há produção de som cansativo, o qual leva a distúrbio de humor (irritabilidade), o que altera a disponibilidade para a concentração e cria os bloqueios próprios da desatenção. Desconcentrar-se é uma forma de defesa produzida pela natureza para proteger os Sistema Nervoso, sendo, então, natural a reação quando diante de algo que causa desconforto ou agressão sonora. INSTRUMENTO DESAFINADO e fora da REFERÊNCIA (diapasão - lá 440 Hz). A AFINAÇÃO é uma ciência que exige do profissional uma percepção do ambiente (adequação), do perfil do usuário (grau de acuidade auditiva de quem usa) para optar pelo TEMPERO de afinação indicado para cada situação. Alguns tipos de afinação: a bem temperada, a entonação maior, a entonação menor, a afinação mediana ("mean tone"), a Pitagoreana, a Werkmeister III, a Kimberger III, a Vallotti Young, os vários guetos de New Orleans (onde algumas tonalidades são enriquecidas a prejuízo de outras; muito usados no "jazz"), e várias outras. O instrumento com propósito de estudo precisa ter características mais intimistas, onde a sonoridade tenha um efeito terápico. É muito importante questionar o profissional (afinador) sobre esses detalhes, para saber qual o conhecimento e qual o resultado você poderá esperar de tudo. A terceira variável é o SISTEMA EMPÍRICO DE ENSINO. A repetição excessiva, a falta de uma metodologia de ensino, a escolha inadequada de material não compatível com o grau de conhecimento/desenvolvimento do aluno,e outras abordagens que acabam torturando o aluno, principalmente se associadas aos dois itens acima (adequação e afinação), tornando o estudo quase impossível. Tem-se, então, formada a grande fileira dos que amam o instrumento, desejam-no mas o abandonam.

DICAS: MANUTENÇÃO DO PIANO

A manutenção deve ser periódica quanto à limpeza interna e à afinação, a qual deve ser efetuada sempre que houver desconforto e que o aluno ou o usuário estiver evitando o instrumento. Recomendamos uma visita anual do técnico. Um instrumento bem afinado quase sempre atrai a pessoa ao estudo. É algo inconsciente, mas absoluto. Quem gosta de música ama o bem-estar. A limpeza externa deve ser feita sempre com pano seco, não usar movimentos circulares e com pressão. Qualquer produto abrasivo destrói o brilho do instrumento, além dos horríveis riscos. O teclado deve ser limpo com pano úmido em solução contendo sabão neutro (diluição bem alta). Não colocar pano embebido em qualquer líquido, mesmo água. Pode danificar, entre outras coisas, o movimento das teclas.

Sempre é bom pesquisar sobre os profissionais da área, procurando saber sobre sua idoneidade e seu conhecimento com pessoas que conheçam esse instrumento e que sejam capazes de se responsabilizarem pela informação dada. O contrário é um convite ao dano material e suas conseqüências.

Fonte: http://www.musicalbucher.com.br/index.php/9-cursos/11-artigos-piano

Tocar por cifra.

Uma partitura escrita com CIFRAS (em inglês, lead sheet) é composta por uma pauta na clave de SOL com uma melodia e os símbolos dos acordes, cifras, escritos sobre a pauta (às vezes, abaixo da pauta). Normalmente, o pianista toca a melodia com a mão direita, e cria, na mão esquerda, um acompanhamento segundo as notas especificadas pelas cifras.

Fake books é o nome dado aos livros cujas partituras são escritas dessa forma. A música popular e as partituras para teclado são assim produzidas.

Também é possível cifrar uma peça escrita em duas pautas. É muito usado como técnica de memorização, porque ajuda a fixar a sequência dos acordes. Pode-se deixar de lado o arranjo feito, e criar o seu próprio arranjo a partir das cifras. Um arranjo é a forma como um executante organiza uma canção, tanto na forma quanto no estilo (formas de acompanhamento, ritmo...).

Como começar a tocar por cifras?

  • Tocar, primeiro, a melodia com a mão direita, principalmente, se ela não é conhecida.
  • Tocar, com a mão esquerda, apenas a fundamental de cada acorde.
  • Depois, praticar, com a mão esquerda, os acordes em bloco (todas as notas executadas ao mesmo tempo) correspondentes a cada cifra.
  • Tocar de mãos juntas: melodia + fundamental de cada cifra; melodia com acordes quando não houver mais dúvidas quanto às notas de cada um.
  • Tentar manter uma pulsação constante. Não há necessidade de correr.
Para tocar bem por cifras é preciso desenvolver um trabalho que permita ao pianista executar quatro coisas apenas com duas mãos: a melodia, a harmonia, as notas do baixo e o ritmo.

Quais são as dificuldades que um professor, normalmente, encontra ao ensinar ritmo para um aluno inciante jovem/adulto?

Ritmo é a alma da música, por isso este conteúdo deve ser trabalhado cuidadosamente desde as primeiras aulas. A abordagem simultânea do ritmo (figuras e pausas de valores inteiros) e da pulsação (contada em voz alta e/ou sentida pelo aluno e percebida pelo professor) é fundamental para um desenvolvimento homogêneo, holístico e racional deste quesito por parte do aluno. Porém, por mais que a gente, como professor, se esforce para que seja natural a evolução dos conteúdos, alguns alunos vão apresentar uma ou outra dificuldade relacionada em um dos tópicos abaixo:

1) pulsação: ensinar o conceito de pulsação e a diferença entre pulsação e ritmo. A necessidade de contar e sentir sempre a pulsação. Há alunos que têm dificuldade para manter constante a pulsação; outros não conseguem contá-la e tocar; outros nem pensam na pulsação antes de começar a música. Ajuda: trabalhar intensamente os valores inteiros antes de passar para as subdivisões.

2) fórmula de compasso ternária: a tendência do aluno é esperar no tempo 3, transformando a fórmula em quaternária.

3) realização de pausas: dependendo da abordagem inicial, alguns alunos nunca terão problemas para ver e realizar as pausas. Outros precisarão de algum tipo de alerta do professor para isto.

4) colcheias: manter a visão do tempo inteiro enquanto executa 2 notas é uma abordagem interessante, que o aluno interpreta como um desafio. Na nossa experiência, até hoje, todos os alunos conseguiram realizar 2 colcheias em um tempo sem a necessidade da subdivisão “1 – e”. Importante: as colcheias só devem ser introduzidas para o aluno quando o professor estiver certo de que ele domina os valores inteiros.

5) semínima pontuada: ao explicar a origem da semínima pontuada (semínima + colcheia), torna-se fácil para o aluno visualizar que o tempo seguinte à semínima se inicia no ponto de aumento, e que, logo depois de ele falar a pulsação do ponto, ele deve bater uma nota, a colcheia (frequentemente, a semínima pontuada é seguida por uma colcheia para completar 2 tempos).

AO ALCANCE DA MÃO

A maioria dos alunos adultos tem algum tipo de dificuldade ou restrição quanto ao posicionamento (fôrma) das mãos e/ou quanto à articulação dos dedos. Os motivos são vários, entre eles:
Tensão (própria da pessoa, excesso de uso);
Dificuldade para relaxar (mãos, braços, ombros etc.);
Dificuldade para se concentrar;
Doenças (lesões da mão por artrite, artrose, L.E.R., fratura, tendinite etc.)

Os exercícios de relaxamento/alongamento/concentração no início de cada aula e feitos pelo aluno em casa podem contribuir para a solução do(s) problema(s) ou minimizá-lo(s).

O posicionamento equilibrado e relaxado do corpo diante do piano é fundamental para o desempenho do aluno, pois facilita a leitura da partitura, o estado de concentração e a execução e o julgamento daquilo que é tocado. Mudanças e ajustes desse posicionamento ocorrem à medida que a música é executada. Eles devem ser conscientes e feitos de forma a facilitar a execução.

Outra observação sobre esse assunto é que os movimentos ao piano devem ser, desde o princípio, executados de FORMARÍTMICA, uma vez que a maior parte das músicas é baseada em padrões de pulsos previsíveis. Há alunos que sentem e fazem isto naturalmente, mas há aqueles que necessitam de educação nesse sentido, para não incorrerem em execuções confusas, desajeitadas e aleatórias. Sons tocados com controle de energia resultam de um trabalho rítmico bem conduzido. O que o aluno e o professor vão colher é uma execução musical fluente e coerente, por mais simples que seja a partitura.

AJUDA:
  • O professor estabelece 3 notas (p.e. dó, ré e mi);
  • Professor estabelece o dedilhado (somente dedo 2; ou dedos 1-2-3) e qual mão usar;
  • Estabelece a região a ser tocada (pode escolher apenas uma, 2 ou mais);
  • Estabelece uma pulsação (“1 – 2 – 1 – 2...”);
  • O aluno posiciona a mão (D ou E) e toca, seguindo o pulso (p.e. semínima = 60).
Professor (conta): 1 - 2 - 1 - 2 - 1 - 2 - 1 - 2

Aluno (toca): dó ré mi

Experimentar outras contagens de pulsos (3/4, 4/4), outras velocidades. Acrescentar intensidade. Praticar com a outra mão. Praticar de mãos juntas, se possível.

Treinar os movimentos dos dedos fora do teclado é uma atividade recomendada para aqueles alunos que têm dificuldade de adaptação ao instrumento. Eles necessitam de mais tempo na fase de pré-leitura a fim de desenvolver: 1) mais envolvência com a música; 2) o movimento dos olhos e das mãos; 3) o raciocínio do processo de leitura.

AJUDA:
  • Apoiar todo o antebraço sobre o tampo de uma mesa, com mão curva;
  • Pontas dos dedos apoiadas sobre a superfície da mesa (polegar deitado, ligeiramente voltado para o dedo 2);
  • Articular cada dedo 4 vezes, devagar, a partir da articulação proximal (aquela mais próxima do dorso da mão), articulando pouco (isto ajuda o aluno a ter mais consciência do movimento, controle sobre ele e diminui a tensão);
  • Não quebrar a articulação distal (próxima à ponta do dedo). Ela deve permanecer firme.

AJUDA:
  • Fortalecer e firmar a articulação distal:
  • Apertar a ponta do polegar contra a ponta do dedo 2 (depois, dedo 3, 4 e 5), criando um “O”;
  • Tocar as pontas de dois dedos (polegar e outro dedo), com leve pressão, acompanhando o ritmo de uma canção conhecida (cantar “Atirei o pau no gato”, “Noite Feliz” etc.)
Exemplo de outra atividade que promove a conscientização do movimento básico dos dedos, coordenação, memorização dos números dos dedos e vivência dos sons. Em cada mudança, ajudar o aluno a avaliar a sonoridade, o conforto da mão e da execução, e a aparência do movimento.
  1. Começar com MÃO DIREITA;
  2. Escolher uma sequência de dedos (p.e. 1 – 2 – 3 – 5 – 1 );
  3. Colocar a mão direita sobre a perna direita;
  4. Articular pouco cada dedo na sequência escolhida, e pressionar levemente cada dedo sobre a coxa. Praticar várias vezes;
  5. Posicionar a mão relaxada sobre qualquer sequência de 5 teclas e tocar o mesmo exercício (sequência 1-2-3-5-1), aproveitando para:
  • Alterar o ritmo (parar na primeira nota, parar na última nota, parar na nota do meio, parar no dedo 5 etc.);
  • Tocar repetindo 2 vezes cada nota (3 vezes); repetindo somente a primeira nota, somente a última etc.
  • Tocar mais lentamente / rapidamente; muito lentamente / muito rapidamente;
  • Tocar piano / forte; pianissino / fortissimo;
  • Mudar a altura: grave, médio, agudo;
  • Posicionar a mão na posição de MI (mi-fá-sol-lá-si), tocar a sequência (1-2-3-5-1) e deslocar a mão para a posição de FÁ, SOL etc., deslocando a mão para a direita, e tocando somente nas teclas brancas. Repetir deslocando a mão para a esquerda.
  • Posicionar a mão em uma sequência teclas na qual estejam incluídas algumas teclas pretas (p. e., mi – fá# - sol# - si – mi). Experimentar outras possibilidades.
  • Acentuar um dos dedos, mantendo a pulsação da sequência.
  • Acrescentar pausas (de 1 tempo e/ou 2 tempos) entre algumas notas (p.e. dó – pausa – ré – pausa – mi – pausa – sol – pausa – dó);
  • Acrescentar staccato em todas as notas, somente na primeira, somente na última etc.
  • Combinar legato e staccato: ligar de 2 em 2 notas, de 3 em 3, terminando as ligaduras com staccato etc.
Por que o adulto decide estudar piano?
  1. Realização de um sonho;
  2. Estudou na infância/adolescência e quer retornar;
  3. Instrumento complementar de algum curso;
  4. Segundo instrumento;
  5. Ajudou ao filho e acabou se interessando;
  6. Para relaxar;
  7. Para acrescentar cultura;
  8. Aposentadoria e tempo livre.
Nos EUA, um estudo revelou que a previsão de alunos adultos, acima de 50 anos, crescerá mais de 70% no período 2000-2016, e abaixo de 50 anos, crescerá 1%. Não conhecemos esse tipo de estatística no Brasil, mas podemos dizer que, nesse período, no nosso estúdio aumentou cerca de 50% a incidência de alunos adultos acima de 50 anos.

Cerca de 2/3 dos alunos adultos prefere estudar em aulas individuais. O único fato contrário que encontramos a esse tipo de abordagem é que o aluno não tem outra referência que não seja ele. O professor deve preocupar-se em dar esse retorno de avaliação e respostas às curiosidades naturais do adulto. Livros que tratam do assunto (em inglês): Piano Lessons, Noah Adams; It’s Never Too Late, John Holt; Making Music at the Piano, Barbara Maris.

Atenção ao detalhe!

Incorporar os valores da percepção, nuances ouvidas, a riqueza harmônica dos arranjos etc. são os frutos da atenção ao detalhe. Cada acontecimento sonoro, no decorrer de uma música, é de extrema riqueza. Então, debruçar-se sobre o que está acontecendo, sem pressa, é um convite para descobertas e respostas. A atenção ao detalhe, que pode parecer uma pressão grande sobre quase nada, é a aproximação do objeto da nossa curiosidade, da música e do(s)instrumentista(s) ao nosso mundo e à nossa linguagem. É sempre bom considerar que existe muito mais do que percebemos, e se deixar levar por essa curiosidade (afetiva) pelas músicas.

Interpretação é a tradução dos valores, códigos de outro, por alguém que se propõe a entender a idéia, e vesti-la da sua compreensão. Ninguém, com respeito ao autor da idéia, irá, em sã consciência, violentar a mensagem da obra. Ninguém que perceba o detalhe de uma criação é desprovido da inteligência para valorizá-la. Ninguém que expõe a sua alma para “receber” as impressões de uma composição violentará as coordenadas que conduzem as emoções dessa inspiração. Tendo isso como máxima inegável, vemos o quanto perceber e enfatizar o detalhe é uma questão de conhecimento e compreensão da idéia.

Atenção ao detalhe! Toda maturação das informações que aproximam o avaliador/interprete do domínio da obra, da música, pavimentam a mais inspirada execução. Quando percebemos o detalhe, um processo interessante passa ocorrer ao “redor” dele. Tudo que cresce em ênfase para a nossa percepção, desencadeia uma rede de associações. Está iniciado o milagre do enriquecimento, da vestimenta que dará impacto ao resultado. Esse “crescimento” que gravita ao redor do detalhe, entre outras coisas, é também pedagógico. Conduz o estudante/avaliador/artista pelos caminhos subjetivos da singularidade daquela proposta. Sem essa dinâmica ( crescimento do detalhe), perde-se o aperfeiçoamento do todo.

Atenção ao detalhe é, entre outras coisas, um disciplinador da nossa “inteligência progressiva”. Esta, que só habilita o domínio se for consequente e é beneficiada pela disciplina da contemplação ao detalhe. Quando percebemos isso, estamos também oferecendo à obra, que é objeto de nossa análise, um efeito pessoal , artístico, com beleza e forma etéreas.

Atenção ao detalhe é um processo onde o respeito pelo mais cuidadoso, mais detido, ocorre em benefício do aperfeiçoamento da técnica, da expressão artística. Podemos especular sobre a perfeição, e sabemos todos que ela não nos é possível, mas quando, a atenção ao detalhe nos leva à proficiência, temos aí, em nosso vocabulário humano, um sinônimo (à nossa moda) para a perfeição.

Piano - som percutido

O fascínio que provoca na afeição humana, o piano, é algo de há muito conhecido. Algumas pesquisas trouxeram mais luz ao universo sonoro-harmônico do som percutido do instrumento. Com o viés mais investigativo da compreensão desse matiz com plasticidade cromática de densidade tão variável, chegou-se ao estado que motiva uma indagação: como pode um instrumento estar tão próximo da unanimidade como o piano?

Não há resposta objetiva para perguntas que abrangem tantos elementos. Mas, existem enfoques vários desse instrumento que é a ponte entre a realidade e magia.

A propriedade da mecânica (estrutura) da percussão, por si só, já deu ao instrumento uma personalidade que os outros não possuem em igual nível de destaque: a alma do balanço, do suingue! Sabemos que o predominante, que é a vida das composições, por causa do estilo, encontra-se nessa mensagem clara do balanço, da “dança”, inegavelmente, a alma da música. Nisso entra o piano, como nenhum outro, com uma carga tão rica de possibilidades, propondo a performance de uma bateria. Temos isso em músicas espanholas, tão intensamente marcadas, com virtuose em sua proposta, onde a sonoridade é percussão pura. Há tantas outras, com tempero afro etc.

A parábola formada pelo som: ataque, ascendência, pico, descendência e desvanecimento, mesmo em seu trajeto de curta duração, possui elementos de gama ampla. Ele, o som, atende os mais variados aspectos. Na sonoridade musical, excita os materiais que formam e circundam o piano em seu ambiente. Então, temos multiplicada a riqueza do timbre pelo circunstancial. No efeito de terapia, como nenhum outro instrumento, somando ao item da sonoridade musical rica já mencionada, temos um dos mais importantes para a alma da música: o balanço, suingue etc. É sabido que a catarse, o derramar das emoções, é mais completa quando o movimento, a dança sonora da proposta, fica evidenciada. Se formos definir a música, como a pintura, o som está para as cores,e o balanço está para a vida, o movimento. Mesmo as cores sem muita harmonia dentro do tema, elas possuindo a proposta definida da “dança” do movimento, estará ali expressada a alma da obra. Vida! Nenhum outro instrumento permite uma riqueza de ataque do som com tantas variáveis. Por este motivo também o piano sampleado, digital, não consegue substituir o instrumento acústico. Um dos motivos, para o músico, é o momento do seu estado de espírito. Todas as vezes que algo tolhe a sensibilidade/afetividade (emoções) do momento, esse algo bloqueia, empobrece a fluência da performance. Um detalhe pode roubar a presença da alma. Na improvisação, a percepção de cada um, de harmônicos percebidos, e que se salientam no timbre daquele musicista, é de extrema importância para a vida da execução. O detalhe, quando dominado, ancorado pelo executante, dá à interpretação da música o ápice da cereja no bolo. Outro recurso inigualável do instrumento, do som, é o volume. Vai-se do sussurro à explosão do trovejar retumbante que ecoa em grandiosidade impar. Impossível de ser conseguido em instrumento sampleado. Isso possui íntima relação com a propriedade da parábola do som. As tonalidades então, no tempero da afinação, podem oferecer à precisão surpresas que encantam. Pode enriquecer algumas em detrimento da precisão de outras. E teremos na criação, improvisação, as menos temperadas para tensão mais acentuada da harmonia, dando mais dramaticidade, densidade na dissonância do contraste, quando caminhamos no desenrolar da poesia musical.

Fonte: http://www.musicalbucher.com.br/index.php/artigos

E o fantasma do "Branco"?

Esta é a mecânica do erro. É a região onde a insegurança produz os seus estragos. E tem íntima relação com a maneira que foi preparada a execução. Na psicologia há abordagens para um diagnóstico do estado do psiquismo do executante quando procura estudar seu repertório. É conhecido que o “branco” tem uma dinâmica contaminante: começa numa região pequena e vai se estendendo nas duas direções, para o começo e para o fim a partir dali. E isso tem estreita relação com o bloqueio da memória cinestésica que ele causa. A correção é um trabalho de extirpar a região contaminada (mal preparada, desordenada) e a reconstrução consciente do trecho crítico. Um dos compostos desse processo de solução é a atenção precisa ao movimento e a lentidão de sua execução, até a criação de uma imagem (quadro mental) bem definida.

A PERSONALIDADE INFLUENCIA NO APRENDIZADO?

A personalidade determina como a pessoa vê o mundo e, por extensão, uma partitura. Há pessoas que, por serem detalhistas, também procedem da mesma forma detalhada quando tocam por partitura, como por exemplo focar o valor de cada nota, os nomes de cada nota de um acorde, hábito que dificulta a fluência da leitura. Essas pessoas não conseguem agrupar padrões de notação musical e organiza-los dentro de uma pulsação, o mesmo acontecendo com os movimentos do corpo. Movimentos repetidos dos pulsos, da cabeça, e paradas no andamento quando precisa mudar de compasso são indícios de que o aluno lê dessa forma fracionada. O professor deve conduzir o aluno a perceber os signos de forma holística, dentro de um padrão rítmico constante e fluente a fim de promover uma adaptação de sua personalidade (seu jeito de ser) às exigências de uma execução precisa e sem interrupções.

Há aquele aluno “gestalt”, sensível, que tem bom ouvido e que é estimulado por um determinado som quando está lendo. Aí, ele se envolve com aquele som, que lembra uma outra música, entra em devaneios e a leitura é interrompida. Há outros que sentem a necessidade de ouvir alguns sons por mais tempo do que aquele anotado na partitura. Isso parece ser mais freqüente entre os que têm ouvido absoluto.

Nesse, e em outros casos, uma boa orientação é conseguida se o professor sabe identificar o perfil de aprendizagem de cada aluno (“gestalt”ou lógico, só para citar a identificação mais abrangente), para que ele possa escolher a melhor abordagem de ensino, além de saber interpretar se as atitudes do aluno são de ordem emocional e/ou psicológica.

Por que usamos os MODOS?

Primeiro é bom conceituar o que é "modo". As escalas de 7 sons, tonais e modais, são as mais usadas por fornecerem vários acordes diferentes para nossa música ocidental, basicamente, uma música harmônica. Estas são as chamadas ESCALASDIATÔNICAS, aquelas formadas por 5 tons e 2 semitons dentro de uma oitava.Os tons e os semitons podem ser arranjados, sequenciados, de várias formas, maneiras ou vários modos. Assim, começando em cada nota, tem-se uma sequência específica de tons e semitons. Os 7 modos são: iônico ou jônico (=modo de dó), dórico (=modo de ré), frígio (=modo de mi), lídio (=modo de fá), mixolídio (=modo de sol), eólio (= modo de lá) e lócrio (=modo de si), cada um com seu encadeamento de tons e semitons característico.

O primeiro motivo para se usar os modos é que eles criam respostas emocionais diferentes (daquelas provocadas pelas escalas tonais maiores e menores) por parte dos ouvintes.(*)

O segundo motivo é que os modos são fontes de relações diferentes entre os acordes, fornecendo acordes que não são encontrados nas escalas tonais.

Considerando as numerosas variações/exceções, as observações estilísticas abaixo poderiam ser feitas quanto aos modos:
Frígio e lócrio (começam com semitom) têm uma característica mais "alterada" e são usados, frequentemente, em estilos sofisticados e naqueles voltados para o "jazz".
Lídio, mixolídio e eólio são amplamente usados em estilos contemporâneos (como o lídio é usado em músicas de comerciais de TV e o eólio no "rock"), sendo também encontrados na música clássica.
Dórico, por ser um modo menor, é usado no "jazz", em alguns estilos "fusion" e contemporâneos.

(*) Os modos podem ser classificados em brilhantes e escuros. O III grau (mediante) da escala determina a modalidade maior ou menor. Os seis modos que têm uma quinta justa (exceção é o lócrio) podem ser agrupados em 3 modos maiores e 3 modos menores.Os maiores são mais brilhantes do que os menores. 

O modo lídio é o mais brilhante de todos por ter uma quarta aumentada. O modo iônico, por ter uma quarta justa, é um pouco menos brilhante que o lídio. O mixolídio, com sua sétima menor, é o modo mais escuro dentre os modos maiores.

Quanto aos modos menores, o dórico é o menos escuro por ter uma sexta maior. Na sequência, o eólio é mais escuro, por ter uma sexta menor, porém a segunda é maior. O modo frígio é o mais escuro dos 3 por ter uma segunda menor, além de uma sexta menor.

Que recursos o professor tem à sua disposição para ajudar o aluno a desenvolver a habilidade de ler as duas pautas à primeira vista ao piano?

Aajudar o aluno a desenvolver uma eficiente percepção do desenho do teclado tão cedo quanto possível;
Oferecer ao aluno um bom fundamento teórico (signos: seus significados e como realizá-los) de forma ordenada e significativa;
Ensinar o aluno a perceber, visualmente, padrões melódicos, rítmicos e harmônicos , e ter consciência visual da partitura. Usar a verbalização daquilo que ele vê reforça o entendimento;
Conduzir o aluno a compreender o que toca (intervalos, desenho melódico, posições, escalas, acordes, formas musicais etc.);
Disciplinar na precisão da contagem e manutenção constante da pulsação (leitura rítmica);
Conscientizar o aluno das boas estratégias de estudo (ver o todo, focar as dificuldades; ver o que é igual e diferente; o que estudar primeiro etc.);
Familiarizar o aluno com a lista de tópicos que devem ser conferidos ao ler uma partitura;
Tocar com outras pessoas (duos, trios, acompanhar coros, cantores etc.)

ESTUDO, PRÁTICA E TÉCNICA: COMO É ISSO?

O ESTUDO é a compreensão do tema ou da proposta. A PRÁTICA é o desenvolvimento da técnica. A TÉCNICA é a proficiência do domínio da ação; é uma habilidade adquirida para executar corretamente passagens de maior grau de dificuldade ao instrumento. O domínio da técnica é desenvolvido na proporção da aptidão/habilidade. Embutido nesse processo encontram-se o ENTENDIMENTO do estímulo (cérebro), DESENVOLVIMENTO DE CONEXÕES NEURONAIS (cérebro) e RESPOSTAS aos estímulos (execução) por meio do corpo, especialmente dos dedos, das mãos e dos braços.
A prática da técnica resulta no CONDICIONAMENTO do cérebro e na prontidão e fluência dos nervos e músculos, que executam as propostas musicais cada vez com mais destreza e controle.
Podemos afirmar, científicamente, que a envolvência do cérebro (conhecimento, entendimento e coordenação) no estudo de qualquer instrumento constitui boa parte do processo. A escolha da técnica certa, a vigilância na hora da execução e o entendimento da razão daquela atividade poupam horas de prática ao instrumento, porque técnica não é simplesmente exercitar os dedos durante longos períodos de tempo, tentando adquirir destreza, sem ter consciência do que se faz. Infelizmente, é frequente a prática da técnica pelo método tentativa/erro, esquecendo-se algo serio: que a imagem do quadro mental sendo formada com tentativas, erros e acertos, ela fica indefinida.
A evolução da prática conduz o instrumentista a ser capaz de (1) tocar com facilidade um amplo repertório e (2) ter consciência de como aprender novos conteúdos com rapidez.

Qual é a diferença entre (#5) e (b13)?

Se considerarmos essas notas isoladamente, constataremos que elas são enarmônicas (mesmo som, escritas diferentes): (#5) de C é SOL #, e (b13) de C é LÁ b.

Porém, no contexto musical, elas soam de forma diferente, porque a tendência é que elas prossigam para uma resolução seguindo a direção que a alteração lhes confere. Assim, pode-se concluir que: (b13) resolve descendo e (#5) resolve subindo.

Importante lembrar que essas notas alteradas são acrescentadas a acordes DOMINANTES, que criam tensão e resolvem no I grau (esperado). 

Ex.:

C 9, b13 é V grau da escala de FÁ M. A nota esperada de resolução do (b13 = LÁ b) é SOL, que é a 9.ª do acorde de F.

C 9, #5 é V grau da escala de FÁ M. A nota esperada de resolução do (#5 = SOL #) é LÁ, que é a 3.ª do acorde de F.

Quais são os prós e contras na eleição do dedilhado no piano?

1. Alunos iniciantes:

Os livros adotados devem ter um bom dedilhado escrito nas partituras;
Importante o professor fixar o dedilhado durante a prática, pois há alunos que insistem em mudá-lo constantemente, o que causa atraso e erros de aprendizado e execução.

2. As escalas e os arpejos determinam o dedilhado para a maior parte das melodias e das passagens rápidas (existem exceções). Daí a necessidade e importância da prática e memorização desses dois conteúdos.

3. Caso seja necessário mudar o dedilhado, estar consciente desta mudança durante a prática. Importante assinalar a mudança na partitura, para não trocá-la durante o estudo e para fixá-la para futuras execuções.

4. É possível aceitar algumas mudanças de dedilhado para adequá-lo à forma da mão do aluno (mãos grandes, mãos pequenas), às habilidades individuais etc.

Como caracterizar uma melodia modal em uma composição?

Os 3 itens abaixo devem estar presentes na melodia:
A TÔNICA tem que ser estabelecida;
A presença da MEDIANTE (III grau) determina se o modo é maior ou menor;
A NOTA CARACTERÍSTICA (se existir) identifica qual é o modo.

A relação entre o TRÍTONO e a tônica é o que identifica o modo. A posição das notas do trítono em relação à tônica é que determina a distinção entre os modos.

Por que as escalas tonais e modais são muito mais estudadas do que as demais escalas (pentatônicas, tons inteiros, “blues”, diminuta, dominante etc.)?

As escalas de 7 sons (diatônicas: tonais – maiores e menores - e as modais) são as mais estudadas porque são as escalas que mais fornecem acordes diferentes, qualidade fundamental para nossa música ocidental. As outras escalas originam apenas 1 acorde ou poucos acordes, e são usadas, preferentemente, em improvisação melódica.

Quais são os passos para ensinar escala tonal maior a um aluno que está tendo contato com este conteúdo pela primeira vez?

Temos observado que o assunto ESCALA é algo etéreo, abstrato para o aluno, inicialmente. Por isso, na nossa experiência usamos a seguinte abordagem:
Conceituar escala;
Onde e como ela é usada e necessária?
Explicar e exemplificar escalas com números diferentes de sons: pentatônicas, “blues”, tons inteiros, cromática etc. Isto, para que o aluno não fique com a idéia de que só existem escalas de 7 sons: maior e menor;
Explicar escala maior a partir da sequência das notas musicais: dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó. Dividi-la em 2 tetracordes. Constatar que são 2 tetracordes iguais: tom-tom-semitom, unidos por um tom;
Conceituar tetracorde e ensinar o aluno a construir tetracorde a partir de cada tecla branca e, depois, a partir de cada tecla preta. Isto explica a necessidade do uso dos acidentes;
Voltar para a escala de DÓ maior. Visualizar e tocar os 2 tetracordes com a escala dividida entre as 2 mãos (ME tetracorde inicial e MD tetracorde final) no teclado (independentemente do instrumento do aluno). A escala se chamará MAIOR quando tiver essa estrutura: 2 tetracordes iguais ( T – T – ST ), unidos por um tom;
Pedir para o aluno construir, com os 4 dedos de cada mão, a escala de SOL maior. Ele vai constatar a necessidade do FÁ #: atender à exigência do T-T-ST. Também vai perceber que esta escala soa como a escala de DÓ maior (porque conserva os mesmos intervalos). 
Pedir para o aluno tocar novamente esta escala SEM o sustenido. Ele notará que o som soará estranho (ouvido acostumado com sonoridade da escala maior). Explicar que essa escala sem o sustenido (sol-lá-si-dó-ré-mi-fá-sol) existe e se chama MODO de sol. Ela será estudada oportunamente.
Proceder da mesma forma com a escala de FÁ maior. A escala sem o bemol se chama MODO de FÁ.
Tendo entendido essa introdução, o aluno está apto para aprender todas as escalas maiores, primeiramente, na sequência das teclas brancas e, depois, na sequência das teclas pretas. A metodologia usada é a que está apresentada no livro “ESCALATONAIS: apenas 60 dias”. Sessenta dias é o tempo que gastamos para ensinar todas as escalas maiores e menores.

Como funciona o pedal da esquerda do piano?

No piano vertical, o conjunto de martelos é aproximado das cordas quando este pedal é acionado (pedal de pianissimo). Resulta na diminuição do volume sonoro.

No piano de cauda, todo teclado é deslocado ligeiramente para o lado, de forma que menos uma corda é percutida (pedal “una corda”). Resulta na diminuição do volume e na mudança da qualidade sonora (timbre).

Notação: usa-se o pedal da esquerda a partir do momento em que aparece escrita a expressão “una corda”, u.c. ou sordini. Mantê-lo pressionado até aparecer o termo tutte le corde, tre corde ou t.c.

Como funciona o pedal do meio do piano?

No piano vertical, o pedal do meio funciona como abafador, emudecendo quase completamente o som do piano. É usado para estudo. Não há notação para este recurso.

No piano de cauda, o pedal sostenuto tem a função de prolongar certas notas enquanto as outras continuam abafadas. Quando este pedal é pressionado, ele segura e mantém afastado das cordas o abafador de qualquer tecla que foi pressionada antes dessa pressão. Nesse momento, o pedal da direita não deve ser pressionado. Depois de o pedal sostenuto ou tonal estar totalmente acionado, o pedal da direita pode ser usado normalmente.

Notação: o uso nem sempre está indicado nas partituras. Alguns compositores do século XX usam a abreviatura S.P., sostenuto ou sostenuto pedal. 

Qual é a explicação para a diferença entre som musical e ruído?

O SOM MUSICAL é formado por um padrão de onda sonora que é repetido. Quando um corpo vibra, ele gera uma onda sonora. Esta se propaga pelo ar até o ouvido de alguém próximo, estimulando o tímpano, membrana que separa o ouvido externo do ouvido médio. O tímpano é flexível (movimenta-se para dentro e para fora) e vibra o mesmo número de vezes por segundo como a fonte original, quando as ondas sonoras chegam até ele. Porém ele não responde bem ao padrão de vibração de ondas que são repetidas muito rapidamente ou muito lentamente. O ser humano só consegue ouvir padrões que se repetem a partir de 20 vezes/segundo e menos do que 20 mil vezes/segundo. Dentro desta faixa, ouvem-se sons musicais. Eles não precisam ser produzidos por instrumentos. Qualquer fonte que vibre o ar entre 20 e 20 mil vezes/segundo é capaz de produzir uma nota.

A FORMA da onda dos sons musicais é regular e simples, quando comparada com a forma da onda de um RUÍDO, que é irregular e complexa (não tendo, portanto, um padrão de repetição).

Como são produzidas as notas de um instrumento?

Os instrumentos musicais são construídos de tal forma que permitem que sons (notas) sejam produzidos e magnificados com quase total controle pelo músico, ou por meio dos dedos e/ou pela força dos pulmões. Os dedos e o sopro provocam a vibração de alguma parte do instrumento a uma freqüência eleita para produzir a nota desejada.

Frequência é o número de vibrações da onda por segundo e é medida em Hertz (Hz). Foi um pesquisador alemão, Heinrich Hertz, um dos primeiros a considerar, cientificamente, a medida da vibração de uma fonte sonora, nos anos 1880. A partir de 1930, em sua homenagem, “Hertz” passou a ser a unidade de medida de frequência. Considerando as notas centrais do piano como exemplo, têm-se os seguintes valores:
Dó 4 - 261,63 Hz
Ré 4 - 293,66 Hz
Mi 4 - 329,63 Hz
Fá 4 - 349,23 Hz
Sol 4 – 392 Hz
Lá 4 - 440 Hz
Si 4 - 493,88 Hz

Fonte: http://www.musicalbucher.com.br/index.php/9-cursos/10-artigosfantbranco

Tenho dificuldade para fazer ditado Melódico / Harmônico

Dois pontos devem ser considerados nesses casos:

1.º) A APTIDÃO DA PESSOA: há aqueles que têm ouvido, predominantemente, melódico e, consequentemente, com menos habilidades para harmonia, e vice-versa;

2.º) Como foi a ABORDAGEM INICIAL no estudo desses dois tópicos? Porque a dificuldade muitas vezes se deve à falta de uma abordagem ordenada, progressiva, racional e equilibrada, de tal forma que cada novo passo dado esteja distante o suficiente para desafiar o aluno, mas próximo o suficiente para continuar na segurança da compreensão.

O DITADO MELÓDICO envolve duas percepções: da altura (frequência) e do ritmo. Sugerimos que elas sejam estudadas separadamente, à princípio. A importância de focar a altura deve-se ao fato de que dela depende o aprendizado do desenho melódico e dos intervalos. Quando o ritmo for introduzido, esse processo deve ser feito com abordagem cuidadosa: usar apenas valores inteiros e compassos simples por um bom período de tempo, para ter garantida a formação de uma boa base.

Na abordagem melódica, sugerimos a sequência que segue:

1) começar a treinar o ouvido para reconhecer o desenho melódico: sons que sobem, descem e repetem (com sua representação gráfica), por meio de vários tipos de exercícios, inclusive utilizando timbres diferentes. Pode ser instroduzida, aqui, a dinâmica.

2) começar o reconhecimento de intervalos pelas terças, quintas e sétimas; mais tarde, os intervalos pares. Iniciar com intervalos melódicos, depois harmônicos.

Quanto à parte HARMÔNICA, é muito importante que o aluno se exercite em um instrumento harmônico (na frequência padrão, acústico ou digital). Praticar intervalos (tocando e cantando, se possível) e as 4 tríades e suas inversões. O ouvido precisa se familiarizar com esses tipos de sons para criar o quadro mental desses padrões. Há método que oferece exercícios diversificados e ordenados para esse tipo de conteúdo.

No decorrer do estudo, acrescentar as sétimas aos acordes; aprender a diferenciar, auditivamente, os três tipos de sétimas.

É importante o aluno ser exposto à audição de música de boa qualidade, com perfil de clareza didática, para que, nessa contemplação, ele possa assimilar o conteúdo afetivamente. O ancoramento da informação pelo viés afetivo pavimenta o conhecimento com domínio de causa. A pessoa não encorre no risco de ter que usar uma racionalidade ainda não amadurecida.

Fonte: http://www.musicalbucher.com.br/index.php/9-cursos/9-artigos-ditmelodico

Classificação das vozes.

CLASSIFICAR uma voz é definir a categoria vocal a qual ela pertence. Ao fazê-lo consideram-se, inicialmente: extensão, tessitura e emissão da voz autêntica (com apoio).

A princípio, classificam-se as vozes quanto:
a) à idade: infantis e adultas.
b) ao sexo: femininas e masculinas.

Chama-se EXTENSÃO ao conjunto de todas as notas fisicamente passíveis de serem cantadas, enquanto TESSITURA refere-se às notas emitidas de forma timbrada. Portanto, a tessitura tem uma abrangência menor do que a extensão.
As vozes infantis apresentam a seguinte tessitura:


As vozes adultas são classificadas (da mais aguda para mais grave) em:
a) femininas: soprano, meio-soprano e contralto.
b) masculinas: tenor, barítono e baixo.

A palavra SOPRANO significa a “voz mais alta”, não só por ser feminina, mas por ser a mais aguda de todas as vozes. Sua origem vem do italiano “sopra” ou do latim “supra”, que quer dizer em cima de, além, acima. Os sopranos apareceram mais tarde na história do canto, quando passaram a ser ouvidas pessoas que cantavam acima de todos, “cantavano sopra di tutti”.


Na idade média havia proibição, por parte da igreja de então, que as vozes femininas cantassem nos ofícios religiosos. Por isso, durante muito tempo utilizou-se a voz de homens que eram castrados antes da puberdade. Por terem um mínimo de testosterona (hormônio masculino), eles cantavam com uma voz parecida com a voz feminina. Esse tipo de voz deixou de ser usada no século XIX.

A palavra TENOR é originada do verbo “tenere”, do italiano, que significa ter, sustentar. Este nome foi aplicado pela primeira vez na idade média, a cantores de canto gregoriano que podiam sustentar melodias agudas, quando só cantavam nas igrejas as pessoas do sexo masculino, de preferência, religiosas.

Entre as vozes mais graves e as mais agudas, existe uma gama de subdivisões determinadas por vários fatores: anatômicos, fisiológicos, estilo, vibrato, timbre, repertório etc.

VOZES FEMININAS


Atualmente, os sopranos são assim subdivididos:

1. SOPRANO LEGGERO, em italiano, traduz-se como SOPRANO LEVE (ligeiro em italiano é presto e não leggero). Voz suave e graciosa, volume menor, bem extensa em direção aos sons agudos e supra agudos, possui extrema facilidade para trabalhar com coloridos vocais (em italiano, coloratura) que adornam certas frases musicais e poéticas, como, p.e., “Gualtier Maldè”, Caro Nome, da ópera Rigoletto. Trata-se de uma voz agudíssima, cuja nota de fala está entre o FÁ 3 e FÁ#3. Em alemão diz-se Koloratursopran.

2. SOUBRETTE: entre os sopranos leves existe a especialidade cômica (buffa), que é chamada de soubrette. Exemplos de papéis para este tipo de voz: Adina, da ópera cômica “L’Elisir D’Amore, de Donisetti;

Suzanna, em “Le Nozze di Fígaro”; Despina, em “Cosi fan tutte”, de Mozart; e o papel masculino do adolescente Oscar, da ópera “Un Ballo in Maschera”, de Verdi.


3. SOPRANO LÍRICO: não dispõe da agilidade do soprano leve, nem da intensidade de voz e dos acentos (tipo de som) característicos do lírico spinto, mas, ao contrário, apresenta um timbre claro e quente, brilho na voz, e é um tipo de voz suave e terna. Ex.: Marguerite, na ópera Faust [Fausto], de Gounod.

4. LÍRICO SPINTO: apresenta uma qualidade mais quente e penetrante do que o lírico, tem um modo característico de emissão da voz, como se o som fosse empurrado (spinto, particípio passado do verbo spingere – italiano – que significa empurrar), porém com suficiente leveza para não embranquecer a voz.
Aparenta-se com o soprano dramático, porém não alcança os limites de sonoridade deste. Ex.: “I Lombardi Nelll’ultima Crocciata”, Verdi.


5. SOPRANO DRAMÁTICO: por causa do seu timbre “escuro” na primeira oitava, é uma voz próxima do meio-soprano, ao ponto de criar equívocos na classificação, principalmente quando se descuida em avaliar a nota mínima da tessitura do soprano.


6. MEIO-SOPRANO ou MEZZOSOPRANO: é uma voz mais grave do que o soprano, e também pode ser lírico e dramático, pelas mesmas propriedades de constituição física, atitudes de expressão próprias da voz e seu emprego em repertórios masculinos (“Cherubino”, em Nozze di Fígaro). Sua nota de fala pode ser, na maioria das vezes, DÓ ou RÉ 3. Ex.: mezzo dramático – “Assussena”, em O Trovador, e mezzo lírico – Il Barbiere di Siviglia.


7. CONTRALTO: é a voz mais grave entre as mulheres. A nota de fala, normalmente, é o SI 2, e sua nota mínima, FÁ ou MI 2. Distingue-se do meio-soprano pelo timbre mais escuro, mais encorpado, voz cheia e aveludada, podendo dar uma aparência de virilidade na oitava inferior. É um tipo muito raro entre os latinos, e pouco menos nos países nórdicos, anglo-saxônicos e eslavos.


8. TENOR LEGGERO ou TENOR LEVE: tem as mesmas características do soprano leve: atinge notas muito agudas e tem facilidade para executar melismas ou ornamentos. Ex.: “Conde d’Alma Viva”, em O Barbeiro de Sevilha; “Tamino”, da ópera A Flauta Mágica, de Mozart.

9. TENOR LÍRICO: tem como característica o brilho nos agudos, enquanto o tenor leve tem voz mais fraca e sem brilho. Ex.: “Rodolfo”, da ópera La Boheme, de G. Puccini, e “Alfredo”, da Traviata, de Verdi.

10. TENOR LÍRICO SPINTO: possui voz com muita potência e pouco brilho, mas é dono de uma impetuosidade peculiar. Ex.: “Álvaro”, da ópera La Forza Del Destino.

Os tenores acima têm a mesma tessitura:


11. TENOR DRAMÁTICO: análogo ao soprano dramático. Ex.: “Otelo”, da ópera Otelo, de Verdi.

12. BARÍTONO: há dois tipos bem distintos: brilhante ou cantabile (cantante) e dramático.

Barítono brilhante tem voz encorpada, porém leve e com certo brilho, com facilidade para executar ornamentos, quando em óperas cômicas (como O Barbeiro de Sevilha).

Barítono dramático tem a voz escura, mas com a mesma capacidade sonora, adaptado para os papéis dramáticos (como “Escamillo”, o toureiro de Camen, de Bizet).


13. BAIXO: há dois tipos bem distintos: cantante, também chamado de baixo-barítono, e baixo profundo.

Baixo cantante tem voz grave, porém mais leve do que o baixo profundo. Assume dois tipos de personagens: pais, reis, imperadores etc, e também certos papéis cômicos (buffo), por isso é chamado de BASSO BUFFO, como o “Doutor Bartolo” e “Don Basílio”, do Barbeiro de Sevilha.

Baixo profundo é aquele que interpreta sacerdotes, grandes autoridades etc, como o “Sacerdote Sarastro”, da Flauta Mágica, de Mozart e “Osmin”, da ópera O Rapto do Serralho, de Mozart .




Fonte: http://www.musicalbucher.com.br/index.php/9-cursos/8-artigos-clasvozes

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Contando os tempos automaticamente.

Contar os tempos e tocar não é nada fácil, mas é uma habilidade importantíssima. [...] contar os tempos não serve apenas pra organizar ritmicamente as músicas, mas também cria o cenário perfeito pra ter agilidade de raciocínio. 

A habilidade de contar os tempos é misteriosa. 

Se você der a oportunidade certa pra si mesmo, ela se desenvolve automagicamente. 

Basta fazer o seguinte: 

1) Desenvolver paciência consigo mesmo; 

2) Ter uma rotina de estudos; 

3) Dedicar 5 minutos dentro dessa rotina pra tocar as músicas muito lentamente, mesmo que desfiguradas, tentando contar o tempo. Isole mesmo que apenas um pequeno compasso. Toque o mais lentamente que for necessário. 

4) Assim que estiver confortável, aumente um pouco a velocidade. Não inclua o metrônomo nesse exercício. 

5) Continue fazendo isso e dê tempo ao tempo. 

Voilà! 

Aplicando esses passos, de uma hora pra outra, você conseguirá coordenar as mãos, olhos e contagem. 

Impressionante, não? 

Peraí!?! 

Você não tem uma rotina de estudos? 

Que vergonha! Assim você nunca vai sair do lugar!

Texto original: Felipe Scagliusi 

Quase sempre o super- vilão tem razão.

"-- A paz lhe custou sua força. A vitória derrotou você!"
Bane, super-vilão de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge 

Quando se trata de motivação, quase sempre concordo mais com as motivações dos vilões do que dos mocinhos. 

Bane tem toda razão... 

A paz e tranquilidade nos deixa molinhos e fracos. 

Bem, talvez o mais correto seja dizer que ele tem razões, mas não RAZÃO, já que explodir uma cidade inteira baseado nesse problema não é conclusão racional. Em "Batman: O Cavaleiro das Trevas", o estilo niilista do Coringa também me convence mais, afinal, todos nós mudamos de opinião a todo momento, tentando justificar nossas ações, mas no fundo a opinião não importa, queremos apenas fazer aquilo que queremos. 

Claro que o Coringa é maluco. Nada justifica seu comportamento. 

Mas é uma bela imagem de nós mesmos. 

E que raios isso tem a ver com piano ou com música? 

Nada. 

A não ser isso: 

Conquistar alguma liberdade no instrumento não é algo fácil. 

Não é complicado, mas você não pode entrar todo molinho pra conquistar isso. 

Calculo que quase metade das pessoas que recebe meus e-mails, se interessou por piano porque chegou em um estágio mais tranquilo da vida. Assim a música pareceu um bem confortável e tranquilo de se adquirir. 

A verdade é que a grande maioria dessas pessoas está molinha demais. 

A vitória as derrotou. 

Existe a situação inversa também. 

Outra parte das pessoas desta lista estão cheias de energia. 

Estão dispostas a conquistar o mundo musical inteiro, não importa o esforço necessário. 

A situação é essa: 

Temos uma carruagem atrelada a um cavalo preguiçoso e a outro cavalo fogoso. 

Um precisa de chicote. 

Outro precisa de rédeas. 

Mas, se você pensar bem, verá que você mesmo é assim. 

Temos esses dois cavalos internos. 

Acontece que dependendo da fase da vida e das circunstâncias, nos apegamos mais facilmente ao preguiçoso ou ao fogoso. Isso é completamente normal. 

Mas não tem jeito. 

Um vai sempre segurar ou puxar o outro. 

Então é preciso ensiná-los a cooperar. 

Entendeu porque digo coisas como: 

"-- Comece estudando apenas 20 minutos, mas estude todos os dias". 

"Apenas 20 minutos" está freando o cavalo louco. 

"Todos os dias" está chicoteando o cavalo bardoso. 

Essa é a arte de fazer esses cavalos cooperarem entre si. 

Quem capta isso, vai longe. 

Mas não basta captar... 

Tem que botar em ação... 

Texto original: Felipe Scagliusi

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Eficiência é diferente de perfeição.


Aprender a tocar teclado ou piano normalmente envolve uma melhora geral da vida. Não que a música seja um remédio, mas seu aprendizado exige largar uma porção de teimosias. E deixar de teimosia é sempre bom.

Volta e meia um aluno me pede alguma opinião ou recomendação sobre uma peça em particular. Claro que a expectativa é de que seja dado um ensinamento incomum, algum segredo, truque ou dica quente que pode melhorar sem muito esforço o trabalho que o aluno já está fazendo. Mas o meu ponto de vista é bem diferente. Sempre procuro guiar o estudo do aluno de modo a ser o mais eficiente possível. E com "eficiente" não quero dizer "rápido", nem "perfeito", nem "divertido, mas sim que o resultado obtido terá um efeito muito mais duradouro e até mesmo, permanente.

Isso me lembra a transportadora americana UPS. Algum tempo atrás li que essa transportadora adotou na sua logística de rotas, virar o menos possível para a esquerda. Isso quer dizer que ao traçar uma rota do ponto A ao ponto B, a UPS não busca o caminho perfeito, aquele que levará menos tempo, mas busca o caminho que exige menos viradas à esquerda. Coisa muito esquisita de se considerar, hein? 

Alguns testes foram feitos e se constatou que essa regra não torna as entregas mais rápidas. Nem torna as distâncias mais curtas. Mas ocasiona em uma economia de combustível absurda para a empresa. Nesse sentido, é uma regra muito "eficiente". 

A explicação técnica de porque é eficiente não interessa aqui. O que importa é que você perceba o quanto deve largar certas "opiniões". Isso é essencial pra sua educação, mesmo no piano ou teclado. 

Se eu tivesse se escolher uma grande teimosia dos alunos, uma que quebra muito a eficiência do seu estudo, é a de evitar o máximo possível de estudar com as mãos separadas. Normalmente eles pensam que estudar com mãos juntas é melhor. Que esse é o modo "perfeito, rápido e divertido" de estudo. Pode até ser pra um caso isolado. Mas para o bem do desenvolvimento geral, dividir o estudo das mãos é muito mais eficiente. 

Texto original: Felipe Scagliusi

sábado, 30 de setembro de 2017

Um professor não é um vendedor de facilidades.

Algo bem simples e direto:

Um professor não é um vendedor de facilidades, mas um guia para uma arte ou atividade que em si mesma representa um universo inteiro a ser desbravado. Qualquer outra coisa fora isso, trata-se de um instrutor. Nenhum problema em ser um instrutor. Mas, como diz uma tia minha, uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. E um professor que sabe do que está falando, não pode apenas falar de vinho. 

Vinho? 

Vamos por partes: 

Toda vez que você vê uma obra de arte (não importa qual arte), tudo o que lhe é mostrado é o resultado de um trabalho que você não vê. Esse resultado é o "vinho". Doce, saboroso e lhe fornece disposição (Sem o consumo exagerado). Essa é a parte que todo mundo fala que gosta de tal arte. 

"-- Eu amo música" 

Quer dizer que ela ama esse vinho musical... 
Ama a movimentação do mundo interior que ela causa e nas possíveis evocações pessoais. 

Mesma coisa pra "-- Amo dança..." ou "-- Amo pintura..." etc... 

Por trás desse resultado, tem o trabalho, tem o "pão". É um pouco seco e sem gosto. E se você quer ser a pessoa que fornece vinho para as outras, precisa do pão. O pão é que vai te dar força pra fabricar o vinho. 

Então, recomendação final: 

Divida os professores que você tem interesse entre os picaretas e os bons. Os picaretas só falam em como você vai ser feliz e que tudo são flores. Agora, assim que você encontrar um professor que pareça bom, sente com ele comece a perguntar sobre o "pão". Se ele ficar feliz em conversar sobre isso, então ele sabe mesmo como as coisas funcionam. Porque ele sabe que quem se dedica no pão, é quem vai alcançar o resultado. 

Enfim, além do bom senso de não cair em professores do tipo "Tekpix", você pode analisar se ele fica feliz em fazer você percorrer o caminho, e não simplesmente querer convencer você a ser aluno dele.

De sempre, muitos alunos me procuram e permanecem algum tempo e logo depois somem, desistem, evaporam. Ok, sem problemas. Acho bom quando isso acontece. Sinal de que a pessoa está ciente do modo como trabalho. Por mim, tudo bem se no final ela conclui que não está interessada. Só posso ser professor de quem quer ser meu aluno. Mas esse não é o fim da história. 

Depois que desistem, geralmente elogiam e, no final, dizem que eu não deveria exigir tanto dos alunos.

Por que ela era muita ocupada... E a vida dela não era o teclado/música... E todo esse blá-blá-blá. 

Veja bem: 

Geralmente as atividades que um aluno de música tem diariamente podem ser lidas/feitas em menos de 15 minutos, se a pessoa não pode dedicar QUINZE MINUTOS no dia, a causa é simples: 

Ela quer que o mundo funcione do jeito que ela pensa que ele funciona. A verdade é bem outra. Existe a realidade e você deve aprender a lidar com ela pra obter os resultados que planeja obter. No caso do piano ou teclado, sempre digo pra começar com 20 minutos por dia. Isso é bom pra manter o aluno ligado por um fio muito estreito com o aprendizado. É um fio frágil. Mas já é alguma coisa. 

Agora, se existe algum aluno atualmente matriculado  e pensa que existe alguma espécie de super mega power técnica que é capaz de transformar alguém mesmo que seja em um músico muito ruim, em menos de DOIS MINUTOS.... por favor, tome outro rumo. Sem nenhum ressentimento. 

Mas faça isso por um motivo real, e não porque você quer obrigar o planeta a girar ao redor do seu umbigo. 

Texto original: Felipe Scagliusi

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Olha pro céu.





segunda-feira, 18 de setembro de 2017

A impaciência é letal para o aprendizado musical.

Não me lembro de uma época com tantos impacientes quanto agora, por isso vemos tanta gente criando métodos de "aprender piano em 24 horas". É o perfeito casamento do "malandro" com o "consumidor" (cabeça-de-pudim), todo dia um malandro e um cabeça-de-pudim saem de casa e, quando se encontram, fecham negócio. O malandro prometendo mundos e fundos e o cabeça-de-pudim, mais apressado que cavalo de carteiro, aceita a promessa por mais esdrúxula que seja. 

Já lidei e lido com centenas de alunos de maneira presencial, alguns tornam-se loucos como galinhas agarradas pelo rabo, isso me entristece muito, pois indica que aquela pessoa não tem a paciência necessária pra avançar. 

Qual a moral da história? 

Se o interessado pretende ir além de bater alguns acordes no teclado, então precisa tomar posse de algumas habilidades que não são apenas intelectuais ou teóricas, mas que necessitam de um aprendizado corporal (alguns diriam algo relacionado à "memória muscular", mas, lembre-se, parecer científico é coisa de malandro). 

Então, é preciso tempo e continuidade, logo, é preciso paciência. Claro, sempre existe uma maneira mais eficiente de fazer esse estudo, mas sem paciência, tentar estudar música é mais inútil do que buzina em avião. 

Se você quer aprender a lidar com os principais problemas práticos e teóricos, então vai precisar desenvolver sua paciência.

Texto original: Felipe Scagliusi

domingo, 10 de setembro de 2017

Acorde Maior com sexta e nona.






















Acorde Maior com sétima menor.






















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